sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Esbórnia francesa - parte 1: Alsácia

Olá amigos leitores!

Andei sumida por um tempo, mas por uma ótima causa: saí em busca de conteúdo gastronômico da mais alta qualidade para compartilhar com vocês e voltei com uma bagagem pesadíssima! Foram duas viagens para o mesmo país - no caso, a França - mas não dá pra juntar tudo no mesmo balaio não, a França merece ser apreciada aos poucos e em detalhes e cada região merece um tópico só seu.

Começarei pela viagem para a região da Alsácia, famosa pelos seus vinhos brancos e cidadezinhas que mais parecem cenários de conto de fadas. Nosso ponto de partida foi a capital da região, Estrasburgo, de onde saímos com destino a Colmar, passando pelas cidadezinhas que compõem a rota do vinho da Alsácia. A região é bastante peculiar, pois está situada entre as margens do Rio Reno (que hoje delimita a fronteira com o país vizinho, a Alemanha) e a cordilheira de Vosges. Historicamente, o território já pertenceu, de forma alternada, tanto à Alemanha quanto à França, daí se explica a forte influência alemã tanto na gastronomia quanto na arquitetura.


Casinhas em enxaimel em Colmar: arquitetura alemã na França

A região produtora de vinhos na Alsácia se estende desde a cidade de Thann, próxima à fronteira da Suíça, até Marlenheim, ao norte, próximo a Estrasburgo. São 110km de variados microclimas e solos, o que possibilita a adaptação das uvas regionais aos terrenos mais adequados. O conceito de terroir é levado tão a sério quanto na região da Borgonha, o que resulta em vinhos brancos de grande equilíbrio e fineza. As uvas mais famosas são Riesling, Gewürztraminer, Pinot Gris (amo!), Pinot Blanc, Muscat D'Alsace, Sylvaner, Pinot Blanc e Pinot Noir. Todos os vinhos são da categoria AOC (Appellation d'Origine Controllée) e ainda são subdivididos em três categorias: AOC ALSACE GRAN CRU, AOC ALSACE e AOC CRÉMANT D'ALSACE - esta última engloba os maravilhosos espumantes da região, elaborados pelo método tradicional como o champanhe (segunda fermentação na garrafa).

Para quem quiser se aprofundar no tema vinhos, sugiro um artigo do professor Aguinaldo Záckia, que não somente entende muito do assunto mas também lidera viagens guiadas aos principais roteiros de vinhos do mundo (de onde tirei as referências para escrever sobre os vinhos da Alsácia) é só clicar aqui

Nesta viagem, estivemos em Estrasburgo, Obernai, Riquewihr e Colmar. Existem outras cidadezinhas interessantes na rota do vinho, mas não tínhamos muito tempo e acabamos fechando o roteiro desta forma. De carro, é possível percorrer toda rota em apenas um dia, porém não daria para visitar vinícolas ou passar mais tempo visitando uma ou outra cidade. Algumas são pequenos vilarejos que em 1 hora você consegue ver tudo, outras merecem um pouco mais de tempo ou até uma noite, caso da lindíssima Colmar. Em Estrasburgo, um dia inteiro seria ideal para conhecer o melhor da cidade, pois é maior e tem lugares que valem muito a visita, caso do bairro conhecido como Petit France.

Costumo dizer que na França é quase impossível comer mal. Lógico que nas cidades mais turísticas sempre existem as armadilhas para turistas, mas fora de Paris é mais raro e a grande maioria dos restaurantes está mesmo preocupada em servir bem, em mostrar a tradição culinária dos pratos da região, utilizando os ingredientes dos produtores locais. Em Obernai fui conhecer um restaurante cujo chef é entusiasta de tudo o que se produz no vilarejo onde está localizado. Não é a toa que sua cozinha lhe rendeu uma estrela no Guia Michelin, o ambiente é zero afetação, o cardápio tem poucas opções mas garante absoluto frescor em todos os ingredientes. Para terem uma ideia, quando você chega, seu pão já está à sua espera na mesa, porém cru! Eles levam para o forno (à lenha, claro) e trazem de volta maravilhosamente assado, cortado na hora, na sua frente, com a manteiga (obviamente) feita por lá também, das vaquinhas que moram ao lado. É o necessário retorno às origens da cozinha, o mundo precisa mais disso. Bistro des Saveurs - Obernai

Não preciso nem falar que a mala retornou cheia de ótimos vinhos e queijos fantásticos, comprados diretamente dos produtores. É um roteiro para quem gosta de comer e beber bem, em um cenário belíssimo e muito encantador. E para celebrar a excelente gastronomia francesa que me agraciou por vários dias, trago para vocês uma receita da região, a tradicional Tarte à l'oignon, facílima de fazer e que fica um espetáculo.





Para a massa, você vai precisar de:
1 ovo inteiro + 1 gema
125g de manteiga em ponto de pomada (tire da geladeira meia hora antes de fazer a torta)
250g de farinha de trigo (ou farinha sem glúten, nesta receita usei a da Schär)



Misture todos os ingredientes até formar uma massa firme e moldável (se sentir necessidade, acrescente 1 colher de sopa de água). Para abrir a massa, eu a coloco entre duas folhas de papel anti aderente (pode ser plástico filme também) e vou abrindo com um rolo até ficar com a espessura de 1 dedo, mais ou menos. O pulo do gato é colocar a forma sobre a massa aberta para cortar o diâmetro do fundo (ou somente o fundo removível da forma) e com as rebarbas você vai fazendo a lateral, com mais ou menos 2cm de altura. Não esqueça de untar e enfarinhar a forma!




Para o recheio, você vai precisar de:
- 160g de queijos variados (eu usei ementhal e um outro chamado Bavaria Blue, que é como um Brie com fungos azuis como do Roquefort). A real é que vc pode usar tudo o que estiver sobrando aí na sua geladeira, o importante é que sejam queijos mais cremosos, que derretam bem.
- 4 ovos inteiros
- 250ml de creme de leite fresco
- 150 ml de leite
- 2 cebolas grandes cortadas em meia lua
- sal e pimenta do reino a gosto




Nesta torta, a característica é que a cebola é dourada, ou seja, você vai ter que dourá-la antes de acrescentar ao recheio. Basta derreter um colher de sopa de manteiga com uma colher de sopa de azeite, acrescentar as cebolas e deixar ela ir dourando, mexendo de vez em quando, até ficar com uma cor bonita.





A montagem é simples, é só bater os ovos com o leite e creme de leite, com a ajuda de um fouet, acrescentar os queijos picados ou ralados e verter sobre a massa. Por último, colocar as cebolas e levar ao forno pré aquecido a 180 graus por 45 minutos ou até dourar bem.




Quando estiver bem dourada, tirar do forno, esperar esfriar e desenformar. Minha sugestão é servir com uma salada de folhas - nesta aqui usei figos, queijo feta, redução de balsâmico e pinolis. Voilá!

Já sabem, né? Quem fizer, compartilha o resultado com a gente!

E preparem vossos estômagos, pois o post que vem é sobre as confeitarias de Paris, tá de lamber a tela do computador, juro!

Beijos e até a próxima!
Mari Corali





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