quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Que as irmãs Tatin me perdoem, mas vamos mexer num clássico...



Queridos leitores, não sei vocês, mas tenho um sério problema com comida. Sabe esses canais tipo Tastemade Brasil ou Tasty Brasil, cujos vídeos sempre pipocam na sua timeline do facebook, com receitas que te deixam com as lombrigas assanhadas? Então, não importa o horário, posso ter acabado de acordar, mas se vejo vídeo de receita já tenho vontade de correr pra cozinha preparar aquilo que me causou desejo... nem que seja a coxinha de camarão com catupiry que esfregaram na minha cara ontem de manhã.

Foi numa dessas ocasiões que vi uma receita de Tarte Tatin salgada de cebola roxa e gorgonzola e fui dar uma conferida na geladeira pra ver se eu tinha os ingredientes necessários. Quando olhei para umas pêras tristes na gaveta das frutas tive a ideia de usar a boa e velha combinação de pêras e gorgonzola, que ficaria legal com mel e nozes também. Sem muita pretensão, montei a torta e mandei pro forno. Depois de pronta, fui experimentar um pedaço e vos digo com muita segurança: foi uma das coisas mais gostosas que já fiz na vida. Juro. Pra quem gosta da combinação, sugiro fazer hoje. Agora. Vai lá comprar o que não tiver e faça o mais rápido possível.

Segue a receita e fotos do passo a passo. Por favor, quem fizer, me conte se estou errada ou se não é uma das coisas mais gostosas e fáceis da vida!

Tarte Tatin de Pêras e gorgonzola (com cebola roxa, nozes e mel)

INGREDIENTES


4 PÊRAS MADURAS, CORTADAS EM 8 PARTES (na vertical)


2 CEBOLAS ROXAS (fatiadas) 


300g de GORGONZOLA (em cubinhos) 


100g de NOZES PICADAS (eu usei nozes pecan, mas pode ser qualquer uma)


100g de MANTEIGA (em cubos)


50g de MEL


SAL, PIMENTA DO REINO E TOMILHO (a gosto)


MASSA FOLHADA LAMINADA 


MONTAGEM


1. Em uma forma de fundo removível, distribuir a manteiga de maneira uniforme


2. Distribuir a cebola


3. Temperar com o sal, a pimenta do reino e folhinhas de tomilho


4. Distribuir as nozes


5. Colocar os pedaços de gorgonzola


6. Distribuir as pêras de maneira a fazer uma camada só, sem sobrepor as fatias


7. Por último, despejar o mel nas fatias de pêra


8. Cortar um pedaço da massa folhada suficiente para cobrir o diâmetro da forma - no meu caso, tive que fazer um remendo, mas não importa pois esse será o fundo da torta que ficará virado pra baixo ;-)


9. Levar ao forno pré aquecido a 180 graus por 40 minutos, ou até ela ficar dourada como na foto.

Para desenformar, deixe esfriar até o ponto de você conseguir manipular a forma. É só colocar um prato sobre a forma, virá-la de cabeça pra baixo e tirar a forma (mesmo no caso de uma forma sem fundo removível a torta desenforma sem problemas).

O resultado é esse aí, uma torta bem gostosa e visualmente bonita. Pode servir de entrada em um jantar mais bacana, ou para acompanhar uma salada bem fresca. É uma receita versátil, de preparo simples mas que causa uma ótima impressão!





Espero que gostem e até a próxima!
Um abraço,
Mari Corali

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O clima e a histeria coletiva

Como não é só de receitas que vive este blog, mas também de causos por mim vivenciados deste lado do hemisfério, vamos a um assunto sobre o qual gostaria de discorrer um pouco: o clima e a histeria coletiva que a mudança de estação provoca nos indivíduos (me inclua nessa).

Antes de me mudar para a Alemanha, eu tinha um pensamento do qual eu hoje me envergonho, admito. É sobre este pensamento que quero falar e, se possível, me redimir. Não que eu me sinta devedora de satisfação, mas talvez eu consiga antigir alguém que pensa exatamente como eu pensava. E, talvez, esse alguém faça uma simples reflexão, que eu não consegui fazer até completar meu primeiro ciclo de estações aqui: final de outono, inveeeeerno, primavera e verão.

Apesar de já ter tido a oportunidade de estar algumas vezes em países onde o inverno é mais severo (com neve e tal), quando você viaja a turismo a sua experiência é muito vaga, muito distante do dia a dia de alguém que mora naquele local. Tudo é festa, tudo é passeio, você não está inserido num universo de obrigações rotineiras - trabalho, escola, faculdade, supermercado, seja lá qual for a sua rotina - portanto, você não tem, exatamente, uma obrigação de sair na rua em horários que o frio mostra a sua face mais cruel.

Geralmente, você não fica tempo suficiente no destino frio a ponto do seu organismo sentir os efeitos da pouca luminosidade dos dias curtos e cinzas, da falta de vitamina D, do sono e fadiga infinitos. Aí você me pergunta "nossa, se fosse assim, como as pessoas daí viveriam?" e eu te respondo que, para quem nasceu e cresceu aqui, tá tudo ok, o organismo deles não sofreu uma mudança drástica de clima e ambiente, todo mundo tá vivão e vivendo. Mas nós, povo alegre e carismático do clima tropical desse Brasilzão de meu Deus, nós sofremos um misto de depressão, sonolência espontânea, apatia, preguiça e fome, tudo junto e com intensidade 5 na escala da dança do créu...

Outro comentário que eu mesma faria, em tempos de outrora: "ah, mas que exagero, o inverno na Alemanha nem é tão frio, queria ver você morando na Islândia". Tá, vamos por partes: realmente, o inverno aqui, principalmente em Stuttgart, cidade onde vivo, não é tão frio assim. Neva, mas não muito. Faz frio, mas dificilmente passa dos 2 dígitos negativos. E, na Islândia, eu não viveria jamais, nem precisa ir tão longe, nem ali na Noruega eu não fincaria a bandeira da minha casa (House Corali). O que eu só vim descobrir vivendo aqui é que, o problema não é a intensidade do inverno, mas sim quanto tempo ele dura...

Apesar do calendário formal de estações ser igual para qualquer lugar do mundo, quando eu digo que o inverno dura seis meses não é porque eu sou burra - dá zero pra mim - é porque o frio chato, o vento gelado, os dias cinzas e curtos e as camadas de roupa que fazem com que você se sinta uma cebola, isso sim dura seis meses. Meados de outubro o clima já começa a cagar, com o perdão do termo. Novembro é um misto de vento gelado, chuva gelada e céu cinza, um presságio da precipitação de neve que parece que nunca vai vir, mas ela vem. Ah, a primeira neve, eu vejo beleza e poesia no primeiro dia que olhei a paisagem de fora do meu apartamento toda branquinha. Infelizmente, a mesma poesia não se repete em todo lugar, porque a primeira neve do ano é uma completa desgraça para o trânsito, o povo bate o carro até não poder mais por causa do "sabão" que a mistura de gelo e óleo forma na pista.

O que acontece, a partir daí, é uma repetição do cenário, dia após dia após dia. É bonito, admito! Mas manter a sua rotina se torna um esforço, já que, instintivamente, nossa vontade é contemplar toda essa beleza estando no conforto do nosso sofá, com uma caneca de 750ml de chocolate quente, assistindo em ritmo de maratona todas as séries do Netflix, correto? É aí que o bicho pega, porque você sai na rua e tem vontade de entrar em qualquer portinha que tenha aquecimento e café. Do tipo, anda 20 metros, entra numa portinha, toma um café e segue por mais 20 metros, outra portinha, um Latte Machiatto e segue, 20 metros, portinha, Capuccino... isso até é possível - e legal! - se você é turista, mas não vai rolar caso você tenha que passar mais tempo nesse esquema.

Daí que isso vai longe, muito longe... até março o esquema não muda, ou seja, de meados de outubro a fim de março temos 5 meses e meio de tempo cagado! É disso que eu tô falando! Da vontade de INCINERAR seu casaco de frio porque você não aguenta mais vestir aquilo todo santo dia! "Ah Mari, mas você só tem um casaco, que uó!" - não importa, você pode ter dez diferentes e maravilhosos casacos, você vai ter vontade de botar fogo em TODOS eles! Sua paciência para a função "inverno" se esgota, função esta que consiste em:

- vestir o que deve ficar por baixo, como meia calça ou meia 3/4, blusa de algodão, etc.
- vestir a camada intermediária, como calça, malha de lã ou blusa mais quentinha (neste ponto, vc já começa a suar porque, óbvio, sua casa está aquecida)
- vestir os sapatos ou botas, que ficam perto da porta pois aqui vc não entra de sapato em casa (acho ótimo, favor considerar caso você venha me visitar)
- finalmente, vestir o cachecol - porque, se fizer isso muito antes, vai derreter - e as luvas (neste ponto eu já tô próxima de arrancar tudo de tanto calor que sinto)
- por último, vestir o casaco, fechar todos os zíperes e botões e pronto, você perdeu 20 minutos do seu dia e está com as bochechas incandescentes de tanto calor! (e se eu acho a minha casa quente, o corredor do meu apartamento até o elevador é o Inferno de Dante, sério, não sei o que essa gente tem na cabeça, mas eles colocam a calefação no nível sauna, só pode!)

Quando a primavera começa a nos agraciar com seus dias mais claros e temperaturas amenas, aí você começa a notar que não são só os animais que saem de suas tocas, mas o povo mesmo começa a manifestar uma certa alegria que estava latente desde outubro. Aquelas carrancas típicas dão lugar a tímidos sorrisos, pequenas manifestações de gentileza, sonoros agradecimentos a qualquer gesto educado... as pessoas, literalmente, se arreganham. Sério, durante o inverno só falta alguém fechar a porta com força na sua cara, um "bom dia" soa como um grunhido, a má vontade impera. Mas basta começar a primavera pra todo mundo resolver ser carismático, de riso fácil, gentil e suave em seus modos. E é neste ponto da minha narrativa que eu digo para vocês qual era o meu pensamento do passado sobre o povo que mora fora quando fala da chegada da primavera, quando enaltece os dias mais quentes, quando faz drama porque o verão está acabando ou fica anunciando o inverno com aquele tom trágico de Game of Thrones, que passou seis temporadas batendo na tecla de "Winter is coming": eu achava uma verdadeira histeria coletiva. Sério, me julguem, mas eu revirava o olho quando lia algo do tipo de alguém que estava morando fora. Conhecem aquela máxima "o peixe morre pela boca"? Pois é, não só calei minha boca como hoje ocupo o lugar dessas mesmas pessoas, postando aquele Emoji das mãozinhas dando tchau pro sol, saca? Hoje eu sou o clichê do brasileiro que vive fora, chilicando por causa do clima.

E é com esse mea culpa que eu me despeço de vocês, com a certeza de que muita gente vai revirar os olhos ou vai postar o Emoji "zzzz" pra quem fala sobre isso, mas também sei que tem muita gente aqui que vai se identificar com o que eu escrevi. Pra essa galera, tamo junto - e que venha o inverno!

Até a próxima
Mari Corali

Diferentes lugares...

... o mesmo casaco...


... tenho umas 20 fotos com ele!

Winter is coming!


Mas tem a parte legal também, esportes na neve são show!
A primavera é tão esperada e festejada...

... que eles tomam uma "cervejinha" e fazem festa pra comemorar!



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em time que está ganhando: Bolo de Cenoura

Não sei vocês, mas pra mim, bolo de cenoura significa sessão da tarde. Sabe aquelas tardes que a gente passava na casa dos amigos, quando todo mundo sentava na frente da TV pra ver aquele filme pela 8ª vez e a mãe do anfitrião colocava aquela bandeja de bolo de cenoura já cortado em quadradinhos no meio da galera? Então, aquele bolo quase radioativo de tão laranja, com aquela cobertura de achocolatado e manteiga era um verdadeiro clássico...

Cada família brasileira tem uma receita "infalível" de bolo de cenoura e, claro, lá em casa a gente também tinha uma. E como toda receita antiga, passada da vó pra mãe e da mãe pra gente, as medidas eram subjetivas, não padronizadas. No caso do bolo de cenoura, a mesma receita podia dar super certo ou ser um completo fiasco, resultando em um bolo "embatumado", pesado...

Foi aí que a Dani Noce, a musa mor da confeitaria virtual e autora do blog "I could kill for desert" teve a brilhante idéia de pegar uma receita dessas que era sucesso (no caso dela, a receita da sogra) e acompanhar tudo com uma balança digital para transformar a receita em um padrão que qualquer pessoa pode seguir e obter sucesso. Não é fantástico? Pesos e medidas são fundamentais na confeitaria, é claro que sua avó pode dizer que não sabemos do que estamos falando, já que ela faz tudo "de olho" e sempre dá certo, mas para nós mortais e perseguidores dos bons resultados na cozinha, nada mais maravilhoso que uma receita para seguir tim tim por tim tim.

Em se tratando do bolo de cenoura, o fator que influencia no resultado é exatamente a quantidade de cenoura. Ela percebeu que a maioria das receitas pedia "3 cenouras médias", mas quem consegue dizer o que é uma cenoura média? Qual o tamanho de uma cenoura média? Enfim, o que deixava o bolo pesado era justamente o excesso de cenouras - a grosso modo, a explicação seria: confeitaria é pura química, muita cenoura = muita água, o que interfere no crescimento do bolo através da reação química proporcionada pelo fermento. Logo, o excesso de água faz com que o fermento não consiga trabalhar com eficiência e o bolo não cresce. A saída para evitar este erro de, digamos, interpretação, é justamente pesar as tais 3 cenouras médias e criar um padrão não subjetivo para a receita! :-)

No meu caso, sugiro fazer um brigadeiro super cremoso e bem chocolatudo para a cobertura ou recheio do seu bolo de cenoura. A receita para esse brigadeiro é super simples, o pulo do gato está em utilizar a mesma quantidade de leite condensado e creme de leite, assim ele fica cremoso, porém com a consistência ideal para cobrir ou rechear seu bolo. Gosto também de adicionar um pouquinho de chocolate beeeem amargo (tipo 90% pra cima) pra quebrar o doce do leite condensado:

- 1 lata de leite condensado
- A mesma medida de creme de leite (fresco ou UHT)
- 4 colheres de sopa de cacau
- 10g de chocolate muito amargo (acima de 90%)

Tudo junto na panela, mexendo em fogo médio até atingir consistência cremosa. Pode usar quente mesmo!

A receita do bolo completa você encontra no passo a passo em vídeo abaixo ou por escrito no fim do post. Qualquer dúvida, já sabem, né? É só deixar seu comentário aqui no blog, ou no nosso canal no Youtube ou ainda nas nossas redes sociais, que estão ali na lateral direita do blog. Curtiu? Deixe seu joinha pra gente!


Beijo grande e até a próxima!

Bolo de Cenoura Infalível

- 3 ovos inteiros
- 200ml de óleo de canola
- 270g de cenoura (pra não errar, tem que pesar!)
- 360g de açúcar
- 240g de farinha de trigo
- 8g de fermento em pó